Na TV, um programa de auditório em uma tarde de sexta-feira ,na casa de minha avó. Fatos falseados ou verídicos do programa acabam se confundindo em minha cabeça cansada após um dia de testes e de hipertrofia. No show, uma convidada reclama que o marido com quem é casada há 25 anos a trai com algumas vizinhas. Ela faz isso desde o nascimento de sua filha. Em contrapartida, foi convidada também a filha da traída. Disse que escolheria a mão ao invés do pai, mas que não acreditava no que sua genitora diz.
A culpa é jogada para terceiros. A culpa, segundo a garota, é do bar e das más companhias. A mulher claramente de pouca escolaridade tem em sua voz a dor de alguém que sofreu uma via cruzes demasiadamente cruel.
Vê se que aquela senhora e sua filha tinham tempo de sobra na vida. A velha desculpa de Seu Madruga * não caberia aqui. Alguém que abre sua vida particular dessa maneira não tem pudor, aquele pudor que impede o pobre de pedir dinheiro, mas não de pedir trabalho. A vida perde o vazio quando se deixa de lado a vontade de avanço e tenta imaginar a vida como uma novela, com aqueles enredos complicados: tem boteco, tem fofoqueira, tem famílias demais. Tem de tudo, menos esforço. Talvez o esforço seja ir até a casa lotérica com um cartão do governo para prover o básico do básico.
Em minha imaginação, a traída era o Brasil. Vende seu voto de confiança por trocados mensais, enquanto a filha age como opinião pública: trai o povo que adora defender com suas teses de tirar dos ricos e dar aos pobres. O pai era o Ali Babá. Aquele do processo dos quarenta ladrões – que alem de foder o povo, ainda fode os países vizinhos apoiando índios e militares ditadores.
* “Sou pobre, porém honrado” - Ramón Valdez
Nenhum comentário:
Postar um comentário