Existe uma discussão grande entre músicos profissionais, amadores e amantes da arte em relação ao dito “comércio musical”. O raciocínio básico e, em primeira vista aparentemente real, é de que com o passar do tempo e com uma ampliação do mercado musical ao redor do mundo , a música perdeu qualidade enquanto as técnicas de produção melhoraram, tornando-se mais baratas e acessíveis. Apesar de parecer real, é um argumento falso e calunioso.
As artes, em especial a música, em comparação com os outros produtos comercializáveis dependem muito mais de “propaganda” intelectual dos formadores de opinião do que, por exemplo, um aspirador de pó ou um ventilador. Quando você paga R$ 20,00 em um CD do Korzus na Galeria do Rock ou R$ 45,00 em um DVD da Banda Cavaleiros do Forró em alguma megastore, tem de se ter em mente que não esta incluída no preço do material a “qualidade” artística , ao contrário do que ocorre quando se compra uma Ferrari ou um Volkswagen Gol, a variação lógica de preço depende dos preços dos materiais usados e da qualidade. O artista e a gravadora apenas ganhariam mais se o single tivesse mais “air-play”, se o clipe aparecer mais na MTV, ou nos circuitos fechados locais mais pobres (assim que Calípso e músicos de Hip-Hop nacionais ganharam seu espaço). Portanto não é um “mercado-livre”, onde o capitalismo impera e “a música de mais qualidade pelo menor preço vende mais”. A imprensa, já com sua conhecida atual personalidade revolucionária, a em outras palavras, tem 90% de controle sobre o mercado musical, lançando e enterrando modas a cada 2 anos ou menos.
Os outros 10% estão na mão das pessoas mais bem informadas e que realmente gostam de um estilo musical. Um exemplo é o que ocorreu com a banda Ac/Dc (algo que aconteceu com inúmeras bandas no período), que nos anos 70 , cresceu e apareceu devido à propaganda boca a boca de fãs de Hard-Rock que estavam sendo calados pela disco-music. Qual o resultado prático? As rádios e as TVs, interessadas no lucro, começaram a tocar novamente rock e naturalmente, houve uma popularização natural do estilo.
Um calo no mainstream (e em toda a mídia) tem sido a internet. A MTV não passa mais clipes clássicos ou coisas novas pesadas? Vou pro youtube e acho coisas velhas e novas interessantes. A rádio rock da sua cidade virou “moderninha” e só toca a dita “black-music”? Baixe gratuitamente (contra a lei) ou compre suas faixas preferidas e ouça no seu MP3 player. Aquela gravadora chata não te contrata porque jazz-fusion não é popular? Grave teu som no seu computador, crie o seu Myspace e divulgue seu material. Muitos músicos profissionais conseguem sessions assim. Pode-se até capitalizar em cima da moda e da internet. Assim fizeram os sucessos do Emo: NX Zero e Fresno.
Não que o Emo seja o meu estilo preferido de som, mas qualquer um que já pensou algum dia em viver de música tem que tirar o chapéu para os atuais líderes da cena rock-pop brasileira. Fazendo um som derivado do que era hit há alguns anos atrás (ou alguém nega que o emo de hoje é o pop-punk e skate-punk que minha geração cresceu ouvindo misturado com muita água e açúcar?) com letras falando sobre temas que já foram sucesso no passado (Falar sobre coração partido em canções gerou 1ºs lugares na Billboard nos últimos 300 anos, do country-rock raiz de Elvis passando pelo alternativo, blues, jazz até chegar aos cabeludos do Whitesnake) e divulgaram seu material no “boca a boca” online e agora, se aproveitam da rede mundial já dentro dos meios de comunicação. E conseguiram tudo isso produzindo seus tracks em computadores caseiros.
Apesar da benesse da internet na liberdade e individualidade artística, a evolução da rede tem levado ao fim da mídia CD e, pro enquanto, minado os ganhos diretos das vendas de álbuns. Gene Simmons falou com muita propriedade que com a situação assim, é pouco interessante ao Kiss e os artistas antigos “fazer música nova”. O mais rentável é utilizar o marketing virtual em favor das apresentações ao vivo. Ao se meditar mais profundamente, acaba-se fazendo o “O” com o fundo da garrafa: A música baixada tem seu valor para o artista mesmo quando ela é “downloadeada” de forma ilícita, ela é pura publicidade. E, por conseguinte, as novas bandas agora, para sobreviverem ou para endinheirarem-se, precisam ir ao palco.
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