Estava em um momento “de boa” no trampo, quando de repente trombo no youtube com um vídeo maravilhoso.
Algo que apenas a liberdade de um meio não governado ou com pouca interferência permitiria ser exposto.
http://www.youtube.com/watch?v=uhgiRXKRoZY
Chaves (Del Ocho, não o da Venezuela) é algo culturalmente enraizado nas ultimas gerações brasilianas. Algo que, em uma viagem minha, pode ser a resposta de um dos porquês mais aterrorizantes. Como a nossa sociedade não vai pro buraco como as outras ao redor. Temos um presidente que está no mesmo nível do porco venezuelano, do Índio, do Fidel e de outras cacas, MAS, continuamos crescendo.
Creio que “Chaves Del Ocho” nos mostra que mesmo em tempos de dificuldade e desemprego, deve-se trabalhar, afinal, “não há nada mais trabalhoso do que viver sem trabalhar”. Isso nos influenciou? Creio que sim, pois na escola e na universidade, nos é ensinado que trabalho é dominação burguesa, e a maioria dos personagens brasileiros “legais” são vagabundos da malandragem.
Muitos nunca devem ter se perguntado, mas o que acontecia com o México durante o seriado? Qual era o contexto político/econômico?
Após a revolução mexicana, durante mais ou menos 40 anos, o país foi governado basicamente pelo mesmo grupo de pessoas, o Partido Institucional Revolucionário. Em linhas simples, era um partido antiamericano, anticapitalista, anti-semita e populista. Esse grupo estatizou boa parte da indústria local e sucateou a economia. Ou seja, houve pobreza, desemprego e tristeza durante muito tempo, e de certa forma, apesar da lenta melhora, ainda existe.
O programa começa mesmo na década de 70. Em uma vila, um garoto pobre (Chaves) que vive praticamente sozinho ,já que seus familiares estão mortos, convive com Seu madruga, um homem honesto que já teve um futuro brilhante como pugilista, mas que sofre com o desemprego. Sua mulher morreu no parto de Chiquinha, sua filha. Ainda como personagens principais, temos Dona Florinda, que era casada com um oficial da marinha. Não se sabe exatamente se ele a deixou e paga pensão ou se ele realmente faleceu. Ela e seu filho, Quico, faziam parte da classe média que com o tempo foi sendo sufocada. Vivem no mesmo patamar que Madruga e Chiquinha, talvez com apenas um pouco mais de dinheiro. Ela é apaixonada pelo professor da escola pública local, O Sr. Girafalles. A Dona Clotilde morava no no. 71. Era uma idosa sozinha, apaixonada pelo pai de Chiquinha. O Dono da vila era Seu Barriga. Apesar de entre todas as personagens ele ser o mais rico, não se tinha dúvidas de que ele não era o bambambã. Seu filho, Nhonhô, estudava na mesma escola pública que os garotos da vila.
Com um olhar mais profundo e sem preconceitos, a base do seriado é a inter-relação de pessoas que sofrem na mão de um governo forte que não conseguiu acabar com o desemprego. Chaves poderia ser qualquer garoto solto na rua enquanto os pais trabalham o dia inteiro, ou até mesmo, enquanto os pais se desvirtuam para o lado das drogas ou das atividades ilícitas. Todos conheceram personagens assim na vida real.
Apesar disso, Roberto Bolaños não se aproveitava da situação para mostrar teoremas sobre a dominação do capital e da guerra entre classes. Ao contrario, a série mostra como pessoas diferentes podem conviver. Bem ou mal, mas em geral, bem. Mostra também que todos têm vontade de crescer. Sempre El Chavo está armando algum bico, e seu madruga sempre atrás de emprego, ou também fazendo pequenos serviços em sua própria casa. Dona Florinda teve um restaurante.
Pode-se dizer que a diferença entre o México de Chaves e o Brasil é que nós nos modernizamos antes. Apesar da ditadura e do populismo pós-militar, nossa economia sempre foi mais livre. Começamos a nos modernizar com Collor, enquanto a economia de mercado só venceu no México em 2000. Chave continuaria pobre por muito tempo. Ou fugiria para o Texas.
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Há 12 anos