quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Del Ocho

Estava em um momento “de boa” no trampo, quando de repente trombo no youtube com um vídeo maravilhoso.
Algo que apenas a liberdade de um meio não governado ou com pouca interferência permitiria ser exposto.

http://www.youtube.com/watch?v=uhgiRXKRoZY

Chaves (Del Ocho, não o da Venezuela) é algo culturalmente enraizado nas ultimas gerações brasilianas. Algo que, em uma viagem minha, pode ser a resposta de um dos porquês mais aterrorizantes. Como a nossa sociedade não vai pro buraco como as outras ao redor. Temos um presidente que está no mesmo nível do porco venezuelano, do Índio, do Fidel e de outras cacas, MAS, continuamos crescendo.

Creio que “Chaves Del Ocho” nos mostra que mesmo em tempos de dificuldade e desemprego, deve-se trabalhar, afinal, “não há nada mais trabalhoso do que viver sem trabalhar”. Isso nos influenciou? Creio que sim, pois na escola e na universidade, nos é ensinado que trabalho é dominação burguesa, e a maioria dos personagens brasileiros “legais” são vagabundos da malandragem.
Muitos nunca devem ter se perguntado, mas o que acontecia com o México durante o seriado? Qual era o contexto político/econômico?

Após a revolução mexicana, durante mais ou menos 40 anos, o país foi governado basicamente pelo mesmo grupo de pessoas, o Partido Institucional Revolucionário. Em linhas simples, era um partido antiamericano, anticapitalista, anti-semita e populista. Esse grupo estatizou boa parte da indústria local e sucateou a economia. Ou seja, houve pobreza, desemprego e tristeza durante muito tempo, e de certa forma, apesar da lenta melhora, ainda existe.
O programa começa mesmo na década de 70. Em uma vila, um garoto pobre (Chaves) que vive praticamente sozinho ,já que seus familiares estão mortos, convive com Seu madruga, um homem honesto que já teve um futuro brilhante como pugilista, mas que sofre com o desemprego. Sua mulher morreu no parto de Chiquinha, sua filha. Ainda como personagens principais, temos Dona Florinda, que era casada com um oficial da marinha. Não se sabe exatamente se ele a deixou e paga pensão ou se ele realmente faleceu. Ela e seu filho, Quico, faziam parte da classe média que com o tempo foi sendo sufocada. Vivem no mesmo patamar que Madruga e Chiquinha, talvez com apenas um pouco mais de dinheiro. Ela é apaixonada pelo professor da escola pública local, O Sr. Girafalles. A Dona Clotilde morava no no. 71. Era uma idosa sozinha, apaixonada pelo pai de Chiquinha. O Dono da vila era Seu Barriga. Apesar de entre todas as personagens ele ser o mais rico, não se tinha dúvidas de que ele não era o bambambã. Seu filho, Nhonhô, estudava na mesma escola pública que os garotos da vila.

Com um olhar mais profundo e sem preconceitos, a base do seriado é a inter-relação de pessoas que sofrem na mão de um governo forte que não conseguiu acabar com o desemprego. Chaves poderia ser qualquer garoto solto na rua enquanto os pais trabalham o dia inteiro, ou até mesmo, enquanto os pais se desvirtuam para o lado das drogas ou das atividades ilícitas. Todos conheceram personagens assim na vida real.

Apesar disso, Roberto Bolaños não se aproveitava da situação para mostrar teoremas sobre a dominação do capital e da guerra entre classes. Ao contrario, a série mostra como pessoas diferentes podem conviver. Bem ou mal, mas em geral, bem. Mostra também que todos têm vontade de crescer. Sempre El Chavo está armando algum bico, e seu madruga sempre atrás de emprego, ou também fazendo pequenos serviços em sua própria casa. Dona Florinda teve um restaurante.

Pode-se dizer que a diferença entre o México de Chaves e o Brasil é que nós nos modernizamos antes. Apesar da ditadura e do populismo pós-militar, nossa economia sempre foi mais livre. Começamos a nos modernizar com Collor, enquanto a economia de mercado só venceu no México em 2000. Chave continuaria pobre por muito tempo. Ou fugiria para o Texas.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Traída


Na TV, um programa de auditório em uma tarde de sexta-feira ,na casa de minha avó. Fatos falseados ou verídicos do programa acabam se confundindo em minha cabeça cansada após um dia de testes e de hipertrofia. No show, uma convidada reclama que o marido com quem é casada há 25 anos a trai com algumas vizinhas. Ela faz isso desde o nascimento de sua filha. Em contrapartida, foi convidada também a filha da traída. Disse que escolheria a mão ao invés do pai, mas que não acreditava no que sua genitora diz.

A culpa é jogada para terceiros. A culpa, segundo a garota, é do bar e das más companhias. A mulher claramente de pouca escolaridade tem em sua voz a dor de alguém que sofreu uma via cruzes demasiadamente cruel.

Vê se que aquela senhora e sua filha tinham tempo de sobra na vida. A velha desculpa de Seu Madruga * não caberia aqui. Alguém que abre sua vida particular dessa maneira não tem pudor, aquele pudor que impede o pobre de pedir dinheiro, mas não de pedir trabalho. A vida perde o vazio quando se deixa de lado a vontade de avanço e tenta imaginar a vida como uma novela, com aqueles enredos complicados: tem boteco, tem fofoqueira, tem famílias demais. Tem de tudo, menos esforço. Talvez o esforço seja ir até a casa lotérica com um cartão do governo para prover o básico do básico.

Em minha imaginação, a traída era o Brasil. Vende seu voto de confiança por trocados mensais, enquanto a filha age como opinião pública: trai o povo que adora defender com suas teses de tirar dos ricos e dar aos pobres. O pai era o Ali Babá. Aquele do processo dos quarenta ladrões – que alem de foder o povo, ainda fode os países vizinhos apoiando índios e militares ditadores.
* “Sou pobre, porém honrado” - Ramón Valdez

“Sobre música, comércio, tecnologia e popularização cultural” ou “Não é preço, é publicidade!”

Existe uma discussão grande entre músicos profissionais, amadores e amantes da arte em relação ao dito “comércio musical”. O raciocínio básico e, em primeira vista aparentemente real, é de que com o passar do tempo e com uma ampliação do mercado musical ao redor do mundo , a música perdeu qualidade enquanto as técnicas de produção melhoraram, tornando-se mais baratas e acessíveis. Apesar de parecer real, é um argumento falso e calunioso.

As artes, em especial a música, em comparação com os outros produtos comercializáveis dependem muito mais de “propaganda” intelectual dos formadores de opinião do que, por exemplo, um aspirador de pó ou um ventilador. Quando você paga R$ 20,00 em um CD do Korzus na Galeria do Rock ou R$ 45,00 em um DVD da Banda Cavaleiros do Forró em alguma megastore, tem de se ter em mente que não esta incluída no preço do material a “qualidade” artística , ao contrário do que ocorre quando se compra uma Ferrari ou um Volkswagen Gol, a variação lógica de preço depende dos preços dos materiais usados e da qualidade. O artista e a gravadora apenas ganhariam mais se o single tivesse mais “air-play”, se o clipe aparecer mais na MTV, ou nos circuitos fechados locais mais pobres (assim que Calípso e músicos de Hip-Hop nacionais ganharam seu espaço). Portanto não é um “mercado-livre”, onde o capitalismo impera e “a música de mais qualidade pelo menor preço vende mais”. A imprensa, já com sua conhecida atual personalidade revolucionária, a em outras palavras, tem 90% de controle sobre o mercado musical, lançando e enterrando modas a cada 2 anos ou menos.

Os outros 10% estão na mão das pessoas mais bem informadas e que realmente gostam de um estilo musical. Um exemplo é o que ocorreu com a banda Ac/Dc (algo que aconteceu com inúmeras bandas no período), que nos anos 70 , cresceu e apareceu devido à propaganda boca a boca de fãs de Hard-Rock que estavam sendo calados pela disco-music. Qual o resultado prático? As rádios e as TVs, interessadas no lucro, começaram a tocar novamente rock e naturalmente, houve uma popularização natural do estilo.

Um calo no mainstream (e em toda a mídia) tem sido a internet. A MTV não passa mais clipes clássicos ou coisas novas pesadas? Vou pro youtube e acho coisas velhas e novas interessantes. A rádio rock da sua cidade virou “moderninha” e só toca a dita “black-music”? Baixe gratuitamente (contra a lei) ou compre suas faixas preferidas e ouça no seu MP3 player. Aquela gravadora chata não te contrata porque jazz-fusion não é popular? Grave teu som no seu computador, crie o seu Myspace e divulgue seu material. Muitos músicos profissionais conseguem sessions assim. Pode-se até capitalizar em cima da moda e da internet. Assim fizeram os sucessos do Emo: NX Zero e Fresno.

Não que o Emo seja o meu estilo preferido de som, mas qualquer um que já pensou algum dia em viver de música tem que tirar o chapéu para os atuais líderes da cena rock-pop brasileira. Fazendo um som derivado do que era hit há alguns anos atrás (ou alguém nega que o emo de hoje é o pop-punk e skate-punk que minha geração cresceu ouvindo misturado com muita água e açúcar?) com letras falando sobre temas que já foram sucesso no passado (Falar sobre coração partido em canções gerou 1ºs lugares na Billboard nos últimos 300 anos, do country-rock raiz de Elvis passando pelo alternativo, blues, jazz até chegar aos cabeludos do Whitesnake) e divulgaram seu material no “boca a boca” online e agora, se aproveitam da rede mundial já dentro dos meios de comunicação. E conseguiram tudo isso produzindo seus tracks em computadores caseiros.

Apesar da benesse da internet na liberdade e individualidade artística, a evolução da rede tem levado ao fim da mídia CD e, pro enquanto, minado os ganhos diretos das vendas de álbuns. Gene Simmons falou com muita propriedade que com a situação assim, é pouco interessante ao Kiss e os artistas antigos “fazer música nova”. O mais rentável é utilizar o marketing virtual em favor das apresentações ao vivo. Ao se meditar mais profundamente, acaba-se fazendo o “O” com o fundo da garrafa: A música baixada tem seu valor para o artista mesmo quando ela é “downloadeada” de forma ilícita, ela é pura publicidade. E, por conseguinte, as novas bandas agora, para sobreviverem ou para endinheirarem-se, precisam ir ao palco.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Ofício respeitável?

Observo de forma cada vez mais clara que não existe real liberdade de imprensa no Brasil, muito menos idoneidade nas reportagens, que muito mais parecem relases de ONGs ou partidos políticos. Independente da minha opinião política, as seguintes constatações são reais:

- A imprensa mundial esta contra o Estado de Israel, o único realmente democrático da região.

- A imprensa mundial ama Barack Hussein Obama, mesmo não sabendo que seu único projeto no senado norte-americano foi tentar implantar educação sexual para a pré-escola (Ah! é mesmo, a imprensa não te disse isso, né?).

-A cobertura sobre a crise econômica deixa elementos importantíssimos de lado e começa a fazer propaganda do estatismo financeiro (Já dizem que “liberdade” não está mais na moda), e a população não está se dando conta que trilhões de Dólares de dinheiro público ao redor do mundo foram diretamente para as mãos dos grandes banqueiros e empresários.

Agora, acompanhem comigo: A esquerda ao redor do globo está protestando contra Israel e a favor da Palestina; Barack Obama é de esquerda; e a tática keynesiana de distribuição de dinheiro público em tempos de crise é algo amplamente defendido pela esquerda - de Partido Democrata americano até os Social-democratas e Trabalhistas europeus.
Complete a equação: Qual é a tendência política do jornalismo que deveria ser isento?



E fica uma triste nota: O filósofo Olavo de Carvalho não mais participa d´O Jornal do Brasil. Conhecido pro ser um dos mais brilhantes defensores do conservadorismo no país, foi cortado do jornal juntamente com o economista liberal Ubiratan Iório e o político Jarbas Passarinho, que por incrível coincidência, também é de direita. Não é magnifica a nossa mídia tupiniquim( Ou seria Bolivariana)?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Sobre vizinhos e justiça

Vou descrever a seguir uma situação hipotética. Em uma rua extensa, tratarei de duas casas em particular, uma com uma família judia e outra com uma família muçulmana. A família judia após gerações de injusta perseguição racista consegue com apoio de diversas famílias do bairro um solo para estabelecer sua sagrada casa- uma casa que foi devidamente paga, onde a família age de forma organizada e democrática, onde a família “anda na linha” respeitando os vizinhos e os valores considerados básicos.

A família que mora ao lado, apesar de ter passado por incontáveis gerações, de ter possuído muitas conquistas (físicas e intelectuais) justas no passado, tem se comportado de forma um tanto desrespeitosa com o mundo. Nesta família, alguns membros tem se envolvido com outras pessoas ligadas ao crime e ao desrespeito religioso.

Esta situação pode ser utilizada para demonstrar o que está acontecendo entre Israel e Palestina. Há tempos, incessantemente, o grupo terrorista Hamas (que é tratado pela imprensa de forma imbecil como “militante palestino”) atira mísseis contra o território de Israel. Mesmo com um aparato militar fortíssimo, Israel se mantinha acuada, tentando a conciliação. Sabe-se, que uma das “clausulas pétreas” do Hamas é a destruição total do Estado judeu- logo, sabia-se que nenhuma conversa iria chegar a lugar nenhum.

Depois de muito tempo sofrendo ataques, os judeus resolveram (e com razão) revidar militarmente. Acontece que, por muito preconceito conta o único país que se declarou favorável ao Estado judeu (EUA), todos querem comparar Israel à Alemanha Nazista, mas todos se esquecem dos carros-bomba, ou dos homens de 11/9. Isto sem contar os que já se declararam faoráveis exatamente pelo meio revolucionário violento...

Arquitetonicamente manchado de sangue(09/01/09)

Oscar Niemeyer é famoso por suas obras arquitetônicas feitas especialmente com o dinheiro do contribuinte. Vive hoje com seus 101 anos de forma bastante cômoda, e por que não dizer, incrivelmente rica e “burguesa” para seus próprios padrões morais e políticos. Dado límpido é que ele sempre foi um grande divulgador da causa comunista. Niemeyer, contudo, fez em sue ultimo artigo na “Folha de São Paulo” o que muitos esquerdistas há tempos tinham vergonha de fazer (ou o faziam de forma subliminar, tirando um ou outro doido varrido), e com razão: a apologia ao camarada Stalin.

A história já consumou o “Grande Irmão” como um genocida carniceiro há tempos. O seu comando manchou de sangue a Rússia antes, durante e depois da revolução, matou milhões de pessoas de fome em algumas dos países que sofreram golpes comunistas, como a Ucrânia, ajudou a armar o exército de Hitler, com quem a União Soviética consumou o tratado de não agressão, e juntamente com os nazistas, ocupou e ajudou a dilacerar a honra e o legado da Polônia. Toda essa folha corrida de crimes ainda não leva em consideração o apoio financeiro que seu partido dava a revolucionários assassinos ao redor do mundo.

Ainda assim, o “camarada” Oscar não pensa duas vezes antes de mostrar que existe um livro que está “reabilitando” (SIC) a figura de Stalin na Europa- mostrando como enquanto jovem, ele era uma figura que se importava com filosofia, cultura e arte. Vale à pena lembrar que quando jovem, o já citado Aldolf discutia filosofia no front da 1ª Guerra Mundial, e, apesar de toda sua maldade e doença, ele era um homem incrivelmente inteligente.

O arquiteto tem direito a pensar como quiser, mas como pessoa que cresceu na vida financeiramente através de contratos para criação e execução de obras públicas (Ou seja, com o suado imposto que foi pago nesses últimos 101 anos por nós e nossos malditos familiares reacionários e pequeno-burgueses), defender um genocida e uma ideologia manchada de sangue e ódio pela liberdade individual é desrespeito à inteligência.